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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sou...


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Sou um monte de conexões desconectadas.
Um turbilhão de experiências mal vividas e até destroçadas.
Sou metade de sonhos e metade de realidade
Uma simetria perfeita entre todas as virtudes e defeitos assimétricos.
Sou um presente viciado, às vezes, no passado.
E tem horas que sou passado na abstinência pelo futuro.
Sou louco desvairado que brinca de ser lúcido, e isso custa caro.
Nos momentos de lucidez me entrelaço nos sentimentos mais ousados, porém melados de sutileza.
Sou a calmaria que treme pela ansiedade. Dizem por ai que ansiedade contida mata.
Pois então, já morri várias vezes de tanto me contentar em simplesmente não abalar.
Enquanto dentro de mim uma bolinha de sabão cheia de fogo e outra de gasolina brincam pra ver quem explode primeiro.
Sou contido pelo riso e extrovertido pelo choro. Mas não gosto de sentir dor.
Apesar de que, a dor estanca o sofrimento.
Sou sol nublado e lua ensolarada.
Sou quente quando me esquentam e me esfrio quando me esquentam demais.
Sou acima de tudo amor sem jurisdição.
Não, eu não sei ser amor pelo meio. Sou amor inteiro, amor sem limites, desses que sobe, sobe, sobe, sobe e quando cai, destrói um universo inteiro.
Sou assim, um monte de metades de outras metades.
Na vida e talvez na morte, eu continue sendo carne e osso ou talvez adubo e espírito.


quinta-feira, 12 de maio de 2011

Madrugar.



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[...]

Anoiteceu e fiquei a maior parte da noite acordado. O telefone no ouvido, ouvindo alguém que falava baixo, questionando meu dia e parte da minha vida.

Alguém me pintava na tela branca da sua exposição engraçada de caratéres;

Alguém tinha uma imagem destorcida de mim, como quem se enxerga em uma colher côncova, aniquilada;

Alguém dizia ser mais real que o real, mas era sonho, era o fantasma que me assustava e me causava insônia todas as noites em que eu precisava realmente dormir.

Acendi um cigarro. A poucos dias acreditei que tinha parado de fumar. Sinceramente? Acho que foi a ansiedade e o nervosismo que de fato me fez colocar fogo naquela nicotina. Alguém me disse que isso era vísivel. Toda vez que eu tremia, mesmo que por telefone, alguém ouvia o barulhinho estranho do esqueiro e da fumaça comprimida que batia no fone do celular. De fato, assim que anoiteceu, eu fiquei até amanhecer. No começo, achei que seria igual, eu e alguém iríamos discutir, mas não, a vida tem dessas surpresas clichês, em que a gente acha que vai acontecer a mesma coisa e aí, a nostalgia toma conta dos fatos, e foi assim que alguém me surpreendeu naquela noite.

Soltei a fumaça, e ri. Olhei pro espelho e perguntei para alguém como se perguntasse pra mim mesmo: 'E o futuro a quem pertence se não for a Deus?'
Ri alto. Olhei pro cigarro esperando a resposta.

'_A você!...'

Parei por um instante e refleti minha vida. O que eu estava fazendo ali ? ... Desliguei o telefone e contrai os olhos fotofobicos quando vi o sol nascer. Fechei a janela e me debrucei em lágrimas debaixo do cobertor. Ouvi uma música de longe, era 'Ave Maria', sorri novamente, fechei os olhos desta vez com força, e disse:
'_ Ah Virgem! Que intercede por mim junto a Teu Filho, te peço piedade pelas minhas lágrimas e piedade pelos meus risos. Te peço por fim, algo no meio disso tudo, em que eu possa estar na mais plena paz de todo o universo. Amém!'

E dormi, no despertar da manhã...

[...]

terça-feira, 10 de maio de 2011

...


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E se eu quiser correr ? Correr pro nada esbarrando em tudo ?
E se eu quiser chorar ? Chorar as lágrimas que você se negou a enxugar ?
E se eu quiser gritar ? Gritar o berro mais alto do mundo e exorcizar todos os espíritos que me angustiam ?
E se eu quiser o colo de alguém ? Você me daria o seu ?
Um vulcão entrou em erupção neste exato momento. Meu corpo ferve em lavas inóspitas cobertas de todo sentimento vão que debruça dos teus olhos ...
Tenho exatas 24 horas pra esquecer as 8760 horas que se antecederam este exato momento. Aliás, tenho mais 30 minutos só pra ficar olhando pro vapor quente da água deste chuveiro quente. Só para olhar... E se eu quiser fechar os olhos ?
Não, eu não posso fechar os olhos... Por que não, eu não posso ver você. [...]

Quero meus lábios sorrindo, quero meus olhos serenos e meu peito tranquilo
Quero um buraco grande que dê pra outro universo, quero a poesia mais linda e o mais melodramático verso. Eu quero...

sábado, 7 de maio de 2011

Luz e Melodia.

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Olha só, eu aqui de novo. E sempre quando eu venho aqui, tenho algo pra contar, desabafar enfim ...
Na verdade nem sei o que que eu quero desabafar. rs Mas as vezes me vem a vontade gigantesca de escrever, e não há nada parecido do que escrever, é necessidade da alma. Escrever e´como tirar de dentro algo abstrato e transformá-lo em concreto.
Meu espaço é esse aqui. Aqui é onde eu desabrocho os momentos mais inusitados da minha vida.

[...]

Ta escuro... Muito escuro... Preciso de luz, de sonda... Foi há um mês atrás que as coisas começaram a ficar dificeis, e oscilando o tempo inteiro em cima e embaixo. Sentir dor sem ter cortado o dedo. Pulsar o sangue na ponta dos dedos e a dor vai pra coluna. Devagar e rápido, e no meio dos dois a nostalgia, o nada, o silêncio. Quem diria que dói mais antes do que depois ? E depois ? Os retratos, as músicas, a música. Que realidade lúdica, e as coisas acontecem como nos filmes, os questionamentos de porquê que as coisas só acontecem comigo. O questionamento que me deixa nessa palma da mão amarrada com um lenço sujo de sangue. Coagulou. Quanto vai doer ? Quando cicatriza ? A cicatriz. Desenhando em mim acordes de uma história que não existe mais, mas existe. A cicatrização de tablaturas tatuadas no meu rosto, no meu peito, no meio das minhas pernas. Sou serenamente sereno. E ainda a fosco, dificil de enxergar. As coisas pararam de oscilar. Inércia. O tempo pára e a gente não percebe, mas ai pinga uma lágrima nos lábios e o relógio recomeça, anti horário. É isso... A luz, o relógio, o sangue, o retrato, as músicas, os acordes, as cicatrizes, as lágrimas, as coisas... E a luz virou melodia... E no meio da melodia, eu consigo enxergar a melancolia estampada nos meus olhos...

E você sabe, eu posso usar
E você sabe, eu não quero chorar
E choro sem segurar
Me diz, pra quê diabos amar ?
Eu quis ousar
Ousar você
você, escolher
E agora, melodiar.

[...]

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Contar comigo.

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Você me disse uma vez que eu poderia contar com você. E eu olhava pra você e via uma áurea linda, cheia de luzes e brilhos piscando para mim. E foi assim que eu me apaixonei inusitadamente. Desde os pequenos olhares de canto de olho até as mãos que me envolviam e me procuravam enquanto você tentava dormir de conchinha, logo ali, atrás de mim. Volta e meia, você acordava e me dava um beijinho no olho, que era, eu acho, pra que eu não me esquecesse que existia alguém ali do lado e que eu podia contar com esse alguém.
Eu me lembro dos dias cheios que nós tínhamos, cheios de coisas pra dar um ao outro. Um anel, um chocolate ou então um cafuné de leve no braço. Ás vezes o dia ficava realmente cheio. Cheio de mim e de você, cheio da gente ali, preso no mundinho da gente e olha só, erámos tão felizes que agora nem nos lembramos mais. As coisas mudam e as pessoas também... Mais que as coisas e as pessoas o sentimentos mudam e também se enchem como uma esponja debaixo de uma goteira. De algo tão leve como uma pluma, as coisas ficam pesadas com o tempo, com tudo... Os contextos, os acontecimentos, as palavras, as atitudes, eu sei. E eu também sei que você tinha disposição, tanto quanto eu. Mas e agora? Quanto eu posso contar com você? Quanto você tem de disposição para apertar a esponja pra que todo o peso saia e fique leve novamente?
Não posso apertar só. A esponja é grande, tão grande que você nem imagina.
Mas eu estou disposto. Ah! Se estou. E olha, você pode contar comigo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Sacrifiquei. Sacrifiquei o que era sagrado e tudo que foi roubado.
Alimentei os meus sentimentos tão regados de lágrimas, tão cheios de partes suas.

Mas não sei porquê, sinto que alguma coisa vêm morrendo aos poucos dentro de nós.
Sinto que o pra sempre, nem sempre é pra sempre.

É uma pena. Uma pena. Pena...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

SÓBRIO.

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"Sóbrio". Foi a palavra que eu nunca mais ouvi dizer nem tampouco vivida.
E por mais que louco era o prazer, minha ressaca sempre foi sofrida.
Quantas vezes nas noites vaguei, varrendo a rua com as bocas das minhas calças e as estrelas com os versos das minhas valsas ?
Nunca me lembrei se quando me embreaguei era de alcool ou de amor, se era de coca ou de terror.
Me lembro que sempre me pegava com os olhos caídos e mãos duras.
Debatia sempre com homens traídos e mulheres não tão puras...
Mas ah! A escuridão! Esse sim era o meu dia ! Onde o sol se tornava lua e a noite virava dia...
Porque dizem os bêbados que a noite é sim uma criança !
Para mim, todavia, me convidava a uma dança.
E lá, nem mesmo os sons das corujas limpavam as moças tão sujas que nas minhas mãos pegavam!
Sol! Sóbrio!
Era notório que no raiar do primeiro raio do sol, a sede secava-me a garganta e os corações por fim, caleijavam.


Autor: Fillipe Sampaio.