Alguma coisa não está certa. Os dias estão ainda mais tediosos, minha solidão já não é mais um acaso, ela já faz parte de mim durante todas as horas que se seguem em qualquer dia, nublado ou não.
Já não sinto suas mãos na noite pela cama, já não sinto seu hálito na minha nuca, em todas as outras noites que se passaram com sua presença.
Aliás, todas as lembranças agora parecem tão intensas, como num filme bom, que está prestes a acabar. Qual força seria maior para suportar a perda de alguém que não se foi, que está ali te olhando? Qual força seria maior pra apagar toda lembrança tão viva, tão intensa que percorre pelo quarto, sala, cozinha, banheiro? Nenhuma força é capaz de apagar a vida de quem ainda está vivo.
Me lembro num instante ou outro daquele seu olhar, tão forte, tão ingenuo, cheio de querer, cheio de vontades. E agora? O que eu vejo em seus olhos, se não a distância, o horizonte avisando que o sol está se pondo.
-
Queria te confessar tantas coisas, queria te jogar contra a parede e te ver sangrar como eu tô sangrando agora. Queria te dizer tudo aquilo que eu não te disse antes, aliás, queria acordar todo o ódio que foi afogado por todo o amor que existia aqui dentro.
Na verdade, eu te queria de novo... de novo... eu te quero de novo...
E às vezes eu não queria ter nascido, nem ter que ter vivido tudo isso...
O que me conforta, é que em algum momento eu fui parte da sua vida, de você. E isso, nem você, nem eu podemos arrancar.
Vou sentir sua falta...
Muita...