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Um amigo me disse que quase sempre a gente cria bloqueios sentimentais na cabeça, devido as experiências já adquiridas na vida. E quase não nos permitimos a sentir algo tão substancial quanto a própria vida.
Que todos nós temos uma defesa, e também quase sempre buscamos uma pessoa mais forte pra depositar toda nossa segurança. O fato é que a vida não deveria ser assim, tampouco o amor.
O amor deve ser um sentimento sem algemas. Deve ser sereno, tranquilo e completamente confiável. Deve ser a flor da pele, mas na flor da pele mesmo. Deve ser um carinho suave, quase como passar a mão de leve na face de um lenço branco de seda. O amor preenche, alimenta. O amor não deveria nos deixar com fome.
Se desfazer de algo tão substâncial quanto o amor é completamente dificil. Não tiro o mérito dele, quando disse que 'o importante é começar'. Mas pensar em tirar um amor, é a mesma coisa de pensar em tirar o coração do peito. Não é só um orgão, acreditem, o coração sente, e sente tanto, que só de pensar na possibilidade de arrancar alguém que o faz bater ele se contrai e automaticamente aperta o peito.
Caros leitores, quase um desabafo aqui, eu sei. Mas é que ontem eu me senti mal quando alguém me disse: 'me ame menos'. Eu precisava vir aqui, e dizer que, não vou deixar de amar menos, e se for preciso, sofrerei até a última gota de lágrima viva em meus olhos, deixarei meu coração apertar de medo, deixarei minha mente voar por toda floresta escura, e se for preciso me aniquilarei. Mas se um dia, eu me cansar. Se um dia, esse amor se desvairar, eu levantarei ainda mais forte, por mais fraco que ele me deixe, eu tentarei seguir a vida com todo o amor que Deus me deu, mas com a convicção que eu amei até a morte do amor.
Por fim, deixo o que ele me disse, que Fernando Pessoa disse:
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
... / continua /
Autor: Fillipe Sampaio / inspirado por dêdê.
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