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O dia ta nublado, e frio. Ontem neblinou e fumaçou o céu; a rua ficou fosca e gelada. E não existem situações tão inspiradora também, como essas. Noites de verão cobertas de inverno, e eu aqui, mais uma vez escrevendo pra vocês. rs
Bom, do que eu vim falar aqui hoje ? ... Vim compartilhar com vocês uma nova fase crucial dessa minha insignificante existência: a aniquilação.
Entendam vocês que quando não se há mais nada a fazer, não se pode fazer mais nada.; já dizia a inesquecível Clarice Lispector, que com toda sabedoria extra terrestre disse em suas sábias palavras que o homem, às vezes, é vencido pelo cansaço. E é exatamente disso que eu queria falar com vocês.
É complicado quando você não consegue equilibrar tudo aquilo que vive dentro de você. É como um leite no fogo. Temos que estar sempre a espreita, observando-o, por que a qualquer momento ele erude, e ai, se não apagarmos ou diminuirmos a chama antes disso, ele meleca tudo. E o que nos cabe a fazer ? Duas alternativas. À melecada, limpá-la; ao leite, esquecer do resto que caiu, por que não se pode fazer mais nada com o que se perdeu. Em compensação tomar o que restou e ganhar a sabedoria em saber a hora exata de desligar a chama.
E é exatamente assim que me sinto hoje. Sinto-me na obrigação de saber a hora certa de desligar a chama, por que não quero continuar a perder o leite, nem tampouco ficar a vida inteira limpando o fogão. rs
Metáfora ridícula, eu sei caros leitores. Mas onde realmente eu quero chegar com tudo isso ?
Troca de experiências, nunca é demais; afinal de contas é olhando o outro que se aprende a viver; ou, é vivendo e errando que se consegue chegar ao 'acerto'. Entendam mais uma vez vocês, que talvez tudo isso que eu digo aqui seja um desabafo. É importante colocar em folhas limpas o que se aprende, o que se vive. Para mim é uma terapia, por que depois de duas semanas, eu releio isso aqui e revejo-me com outros olhos. Percebo que a mudança é continua, e que os erros sempre voltam aos mesmos erros, que as intensidades das caídas sempre diminuem, por que os joelhos calejam.
Afinal de contas do erro alheio se tira o prudente conselho, e assim por diante.
...
Bom, para continuar o restante do desabafo, eu tenho uma coisa a confessar.
Eu realmente tenho me segurado para não mais sofrer com situações alheias. Eu realmente tenho tentado ser empático, porém, observando sempre a ferida que existe em meu peito e tentando não mais expô-la. Tenho tentado não vivenciar mais as mesmas situações; tentado não mais me vincular a uma felicidade que supostamente, distante de mim, NUNCA existirá, por que hoje, eu tenho buscado incansavelmente uma felicidade terna, pouca, porém, constante, dentro de mim mesmo.
Talvez de fato eu nunca a encontre, mas a euforia de tentar achá-la consome a minha tristeza. Por que toda vez em que meus olhos cansados ousam se encher de lágrimas e pensam em transbordá-las, toda vez que meu coração aperta e me angustia o peito, toda vez em que minhas mãos ficam extremamente geladas e os meus dedos enrigessem, me ponho na condição de introspectivo e busco aleatoriamente pela vontade inestimável de encontrar alguma felicidade pouca, estável, que me conforte.
De qualquer forma, caros leitores, em toda essa melancolia sem tamanho, acredito que estou chegando perto da razão, sem ter que arrancar do peito todo o sentimento que ainda exista nele. Afinal de contas, tenho visto que, a razão nada mais é do que um equilíbrio sentimental; é quando você entende que existe sim algo dentro de você que corrói, que angustia, que amedronta, mas você simplesmente aniquila esse sentimento, mostrando à sua volta somente uma superficialidade de toda a indiferença em dar domínio à usura em sentir.
Talvez olhando dentro dos olhos, outros com a sensibilidade de um espírito, consiga enxergar toda a inquietação. Entretanto, são poucos que conseguem enxergar além de uma iris e chegar no firmamento de uma alma.