- Eu queria poder voltar a ser criança e sonhar com doces, com animaizinhos de plástico; me divertir com pouca coisa, sem me preocupar com a roupa suja ou com os pés descalsos. Queria voltar a ficar hipnotizado com todos os seres vivos e encontrar neles toda a vontade de viver. Não ter malicia e viver sempre pelado pela casa, correndo com a barriga grande de fora, nariz escorrendo e sorriso estampado no rosto. Queria brincar de água todos os dias de sol, fazendo chuva com a mangueira e vendo a água formar arco-íris pelo céu! Se melar comendo uma fruta ou iorgute, e deixar a boca suja pra que toda vez que eu passasse a lingua eu sentisse novamente o sabor gostoso de doce. Queria que a felicidade não tivesse tamanho, queria que a paixão me envergonhasse, e toda vez que alguem me perguntasse: 'Ta namorando?', eu me escondesse por detrás dos meus dedinhos e sorrisse exorbitadamente fazendo todo mundo rir da minha mulecada. Queria ter o sono pesado, e tranquilo... e que toda vez que eu dormisse, nunca sonhasse, só dormisse, e que nada fosse tão importante quanto meu sono. Queria só chorar quando quisesse alguma coisa, queria fazer birra quando alguém não me desse o que eu queria, e gritasse por minha mãe quando algo me incomodasse. Queria não precisar ir ao banheiro, nem tampouco escolher roupas pra vestir, ou pentear os cabelos; Queria não sentir dor de cabeça, nem dor nenhuma. Ou talvez uma única dor que curasse apenas com um xarope qualquer, e que todo mundo só quisesse me fazer feliz. Queria não me importar com que os outros pensassem sobre mim, e não me importar se eles não gostassem de mim, por que teriam outros tantos que iriam gostar. Queria não poder me apaixonar, não ficar a mercêr de ninguém, queria não depositar expectativas para minha felicidade em seres humanos, queria que a minha felicidade fosse sempre depositada em algo novo, ou qualquer descoberta corriqueira, que me fizesse o coração pular de alegria; que meu riso fosse estatalado, daqueles que mostram todos os dentes e faz um barulhinho gostoso, queria que minha única paixão fossem os meus pais, ou não, queria que a minha única paixão fosse a doce vontade de viver e conhecer todas as coisas e me divertir com todas elas. Sem nenhuma maldade, com toda a ingenuidade e doçura de uma criança. Eu queria ... Autor: Fillipe Sampaio.Visualizações.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Queria ser criança.
- Eu queria poder voltar a ser criança e sonhar com doces, com animaizinhos de plástico; me divertir com pouca coisa, sem me preocupar com a roupa suja ou com os pés descalsos. Queria voltar a ficar hipnotizado com todos os seres vivos e encontrar neles toda a vontade de viver. Não ter malicia e viver sempre pelado pela casa, correndo com a barriga grande de fora, nariz escorrendo e sorriso estampado no rosto. Queria brincar de água todos os dias de sol, fazendo chuva com a mangueira e vendo a água formar arco-íris pelo céu! Se melar comendo uma fruta ou iorgute, e deixar a boca suja pra que toda vez que eu passasse a lingua eu sentisse novamente o sabor gostoso de doce. Queria que a felicidade não tivesse tamanho, queria que a paixão me envergonhasse, e toda vez que alguem me perguntasse: 'Ta namorando?', eu me escondesse por detrás dos meus dedinhos e sorrisse exorbitadamente fazendo todo mundo rir da minha mulecada. Queria ter o sono pesado, e tranquilo... e que toda vez que eu dormisse, nunca sonhasse, só dormisse, e que nada fosse tão importante quanto meu sono. Queria só chorar quando quisesse alguma coisa, queria fazer birra quando alguém não me desse o que eu queria, e gritasse por minha mãe quando algo me incomodasse. Queria não precisar ir ao banheiro, nem tampouco escolher roupas pra vestir, ou pentear os cabelos; Queria não sentir dor de cabeça, nem dor nenhuma. Ou talvez uma única dor que curasse apenas com um xarope qualquer, e que todo mundo só quisesse me fazer feliz. Queria não me importar com que os outros pensassem sobre mim, e não me importar se eles não gostassem de mim, por que teriam outros tantos que iriam gostar. Queria não poder me apaixonar, não ficar a mercêr de ninguém, queria não depositar expectativas para minha felicidade em seres humanos, queria que a minha felicidade fosse sempre depositada em algo novo, ou qualquer descoberta corriqueira, que me fizesse o coração pular de alegria; que meu riso fosse estatalado, daqueles que mostram todos os dentes e faz um barulhinho gostoso, queria que minha única paixão fossem os meus pais, ou não, queria que a minha única paixão fosse a doce vontade de viver e conhecer todas as coisas e me divertir com todas elas. Sem nenhuma maldade, com toda a ingenuidade e doçura de uma criança. Eu queria ... Autor: Fillipe Sampaio.
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