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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009


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Andamos embreagados em nossos pensamentos por muitos metros sem sequer trocar olhares um para o outro. Eu era seu maior sonho, seu pior pesadelo; a sua parte mais verdadeira e a mais falsa. Eu era simplesmente tudo aquilo que ela negara outrora, e tudo aquilo que ela queria por toda a vida.
Seguimos com os passos ainda tão pesados contra o corpo, o tempo e paramos um diante do outro. O cordeiro e o lobo.
Ela me olhou fixo nos olhos com seus olhos ainda úmidos. Sua paixão e dúvida transbordava daquele olhar tão nu, despido. Eu ainda assim, com medo da sua ausência eterna ou da vida eterna sem a sua presença estava no dilema: deixá-la ir brincar com a vida até que a morte nos separasse, ou simplesmente trazê-la eternamente pros meus braços.
Na minha cabeça cenas passadas passavam como foguetes em câmera lenta. Aquela sexta, o frio, o calor, a música, as vozes. Nós. [...]
Não tinha percebido que assim como os dela, os meus olhos também estavam a ponto de erudir de lágrimas ! Não chorara com tanta sinceridade a muito tempo. Não sabia se chorava de medo (de perdê-la), de alegria (por estar ali ao seu lado) ou por pura melancolia de não ser suficientemente bom para reverter o quadro que pintamos.
Não lembro do nosso curto diálogo, já que, antes disso, como havia dito, não tínhamso trocado sequer uma palavra.
Mas eu me lembro do que sentia, ah ! Se me lembro ! De todos os frios quentes no meu peito os quais nunca havia sentido em toda minha eterna existência. Lembro do tom do 'eu te amo' dito por ela, logo depois que tocou meus lábios ternamente, enquanto eu, parado, assistia tudo aquilo pasmado com o que aquela moça me fazia sentir em tão pouco tempo.
Enquanto seus lábios teimosos tocavam os meus com tanta ternura, não fechei meus olhos, deixei-os abertos pra selar aquele momento tão singular.
Ela virou-se de costas na intenção de continuar seu destino ... Enquanto ia, observava de longe seus passos e seu corpo, sua alma cada vez mais distante da minha;
E era exatamente a hora do meu ataque, que faria dela a sua morte ou sua vida eterna em mim.
Gritei, como no surto pelo seu nome. Ela olhou para trás, como no susto, e ainda com o rosto vermelho, quente, coberto de lágrimas, veio ao meu encontro.
Peguei nas suas mãos tão quentes; olhei nos seus olhos tão amendoados, vermelhos e brilhantes, e disse, como num desabafo: 'eu também te amo'.
Beijei-a freneticamente, a ponto de meus olhos mudarem de cor... desci pelo seu pescoço, e alcancei a sua nuca. Ali mesmo preguei meus dentes suavemente para que não sentisse tantar dor. Suguei-a até o limite da vida ... O seu sangue escorreu pelo meu queixo e espatifou-se em seu seio.
Ela desfaleceu em meus braços, e assim, com pouca consciência, olhei serenamente em seus olhos e lhe fiz uma escolha: morrer consigo mesma, ou viver, eternamente, nos meus braços.

[...]

Solamente.

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De novo, não mais que de repente, a vida ensina aquilo que já devíamos nascer sabendo.
Que ser assim, da forma que o meio me torna, nessa metamorfose dissimulada, na loucura de saber quem sou, de nada adianta.
Do que adiantaria os sorrisos sem as lágrimas ? E os momentos sem as pessoas ?
Talvez os poucos estivessem certos quando disseram que definir-se é limitar-se; e nessa de ser infindo do que me torna limitado; nessa loucura que me alimenta e me faz conhecer um novo 'eu' cada vez mais novo e melhor, ou pior do que ontem, do que amanhã e consequentemente do que hoje, vejo que é tudo muito mais complicado do que parece realmente ser.
Ai tu vem, e tenta mais uma vez me enxergar da forma mais superficial, esquecendo que sou humano e toda vez que me torno humano, me vejo imperfeito, feito, perfeito.
Tu vem cheio de cristais nos olhos e lambe o meu lado substancial, enche a boca do sabor da minha alma, se embreaga, e aos poucos também se alimenta da minha loucura, insana, instantânea;
Não, eu não sou os teus olhos, a tua boca, teus ouvidos, teu nariz, teu tato, teu peito. Sou definitivamente o que talvez outrora ou ainda no futuro tardio, queira ver, beijar, ouvir, cheirar, tocar, sentir.
Ainda sim, me lembro de você reclamando, num instante ou outro, que sou um jogador fatal, que brinca de ser sedutor, vampiro e suga toda tua paz, tua razão, tão sagaz; reclama que eu preciso crescer, amadurecer, evoluir; quer que eu faça coisas que eu nunca talvez faria, mas é melhor dizer que fiz;
E a conclusão de todo esse paradoxo tamanho é que, apesar dessas palavras sem nexo vivo, é que na dor se encontra prazer, e sendo assim, talvez eu seja, um mal necessário.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009


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Em dezembro meu olhar não era mais o mesmo.

Ainda sentia a tua mão fria em meu ombro pedindo que eu ficasse um pouco mais e ainda via teu olhar por detrás das minhas costas suplicando por um pouco mais de mim.

O efeito dominó já tinha acontecido, se arrepender seria a pior saída, afinal de contas já sabíamos a quem nós pertencíamos e o que nos ligava ficava bem acima de qualquer realidade tosca que nos cercava.

Era uma faca de dois gumes. Ouvir a consciência ou se entregar aos instintos tão regados pelos nossos hormônios, tão animalescos ou senão, tão inevitáveis.

Evitar, era um verbo, que naquele momento, não estava em nossos vocabulários, tínhamos duas saídas: se entregar ou se entregar. [...]


Nossos corpos estavam ligados. E eu sei que cada vez que minha pele pensava encostar na tua, você suava, se contorcia e se arrepiava.

E eu fazia de propósito, pegava na tua cintura, segurava na tua mão, te convidando pra uma dança que só nós dois sabíamos de todos os passos; de cada compasso; de todo o ritmo.

A cada toque involuntário ou toque bobo, nossas mentes imediatamente nos levava a um lugar que só nós dois tínhamos as chaves e sabíamos como entrar.

Por que era fato. Era pra ser consumado.

O teu cheiro me envolvia, tua voz me mandava, o teu gosto me entorpecia e o teu olhar me maltratava. Era como tinha que ser, o nosso medo nos distanciava a lugares tão distintos, mas somos seres e seres não se cansam, e mesmo sem respaldo, sabíamos onde estávamos, o que fazíamos e para onde iríamos.

assim se fez o fim de um começo.
de um começo sem um fim.
e mesmo sem um terço
já levara parte de mim.

Autor: Fillipe Sampaio.

Noite.


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Os poucos minutos foram bem rápidos. A luz meio fosca e amarelada; prateada por detrás das nuvens, decifrava o mistério da noite. Era a lua cheia, formosa que subia ao céu cheio de glória, coberta por púrpurinas de estrelas cintilantes.

O céu em outros poucos minutos estava negro e respingado de diamantes brilhantes; a terra estava coberta de sombras deslumbrantes, cópias fiéis das suas matérias, mesmo sendo destorcidas e aterrorizantes.


Era possível ouvir aquela música, que vinha de dentro de algum lugar. O olhar claro estava negro à noite; os movimentos rápidos, pareciam lentos, sóbrios ou bêbados, ou simplesmente naturais. Ou não?!

Enquanto eu pensava em ir, você estava vindo e misturava a cor dos seus gemidos junto com o som da sua pele rasgando a minha; Não esquecia que era noite e não era dia; Que era a lua que reinava só e não o sol;


Era a metáfora dos teus beijos continuos que faziam aos poucos meus globos virarem e ficarem sem cor.

Era a prosopopéia dos teus braços gritando o meu corpo, junto ao teu corpo, fazendo torcer os meus pés, abrir a minha boca e faltar o meu ar.;


Foi naquela linda noite, que algo maior do que eu, maior do que os seus, eu me lembro. Foi naquela noite em que eu toquei de leve nos dedos de Deus.

Foi naquele instante, não tão distante que seu corpo fez resgatar meu prazer, e antes mesmo de amanhecer, me tornei louco, insano, lânguido.

Autor: Fillipe Sampaio.





Consegui novamente inspiração dentro de mim mesmo. [...]

Acredito que quando olhamos para nós mesmos e tocamos em nossos sentimentos, podemos contorná-los com palavras, mesmo que confusas.

Os últimas dias têm sido pra mim estes momentos. A paixão é tão grande que se confunde com a saudade e chega a doer, e durante a noite um desejo sublime de ter; É meus caros leitores, tudo bem que compramos complicações pros mais variados momentos das nossas vidas, mas também o que somos ou o espelho de nossas entranhas é de fato, ainda mais mirabuloso.

Espero que gostem da poesia que fiz, e fica no ar um teor de mistério, um gostinho de baton de menta, aquele lá, que quando se suspira, faz os lábios queimarem feito brasa.



[...]


Colapso.


Inquieta o sorriso

Inquieta a alma;

Inquieta meu sono,
Os meus dedos e acalma
Transborda meu pote
de sonhos, desejos
quem me dera ter sorte
de suprir os teus beijos;


Tira de mim a melhor parte
Põe pra fora o que arde,
E me apresenta a saudade;
Pirraça meus sentidos, sentimentos,
Sufoca minha arte
Toca no G dos meus lamentos
E me faz criar e pensar
E me faz ter asas e voar
Pelos oceanos dos teus olhos,
Pelas nuvens dos teus sorrisos,
Pela eternidade de teus gestos.
Tão precisos
Continuos [...]


O teu mistério e o teu quê de me indagar
Um cigarro, dois cigarros e uma bala,
depois a minha luta de querer não aceitar
E a tua palavra que me cala
Me despe, me prende.

O contraste do branco e do preto

do preto e do branco

de tua expressão rigida, fria, bruta
e teu olhar doce, meigo e carinhoso.
Por que faz bem beber do mel
e faz bem ainda ter um anel
e poder passear pelo céu
sem ter medo de ser cruel
Com teu Deus e nem com meu Deus
Mas são todas essas especulações
De saber que não é sonho a tua existência
todas as sensações
de poder ter a tua presença
nem que seja uma imagem sua destilada
mas que seja eternizada,
a todo momento em mim. [...]


Autor: Fillipe Sampaio.

Eis o amor.

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Nessas tardes quentes de chuvas de verão o tempo parece estar corrido. Eu não sei se vocês já perceberam isso antes, mas é bem tedioso ficar em casa. Eu particularmente adoro. Um bom filme, pipoca, ou então sentar na varanda de casa e ver as nuvens brancas sendo pintadas de amarelo pelo tempo. Ou então, ver o pôr do sol do verão. Ele é bem mais vermelho ou laranja, e tem um teor de calmaria.

O que não falta no verão é inspiração para escrever. O único problema é que pra começar a imitar algo da realidade precisamos vivê-lo. E sinceramente é o que mais tenho feito nos últimos dias: viver.

Tá, eu sei... Vivo a cada instante, se não, não estaria aqui, assim, escrevendo pra vocês (ou pra mim mesmo) enfim [...]

O que eu vim falar aqui hoje? Bom, foi algo que eu ouvi ontem e que me deixou encabulado.

Os amantes são rídiculos por que amam. rs.

Mas afinal de contas, o que é o amor?


''Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;


É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;


É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade.


Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

se tão contrário a si é o mesmo Amor?''


Engraçado como na teoria tudo se torna fácil. É como nas receitas escritas nos papéis de um livro de culinária, de preferência, ilustrado. Tudo sai tão lindo, as guloseimas parecem muito mais deliciosas do que na realidade; Mas o amor? O amor não imita a realidade. O amor é a realidade mais crua, nua e perversa que se pode existir. O amor não é a chama que arde sem se ver, o amor é o cego que acende a chama mesmo sem vê-la. O amor é a dor que se sente na ferida, e que dor! É a dor que mais parece cócegas no peito. É abrir os lábios e fechá-los e sem tocar outros lábios sentir o sabor d'outros. É a ciência que ninguém um dia vai distinguir, por que se distinguisse não seria mais o amor. E antes de fácil é simplesmente complicado, é o complicado que se torna simples e o simples que por tanto ser simplório, miniminalista e quieto, se torna terno, lúdico. É a ferida aberta, tão sensível quanto a pele; onde o calorzinho é mais quente e o frio torna-se quase insuportável, e estar com alguém não seria mais uma escolha, mas sim, uma necessidade. Eis o amor, que em palavras pouco se definiria, mas com o tanto de sentir jamais se confundiria.

Autor: Fillipe Sampaio.