-Tenho tantos motivos para não mais estar. Tantos motivos pra me perder pela cidade em busca de algo. Tantos motivos que às vezes nem eu mesmo sei.
Eu me perdi diversas vezes e me busquei também. Me olhei no espelho e sempre via alguém que eu precisava cuidar, mas só não sabia como. Me ajoelhei no chão do quarto e olhei pro teto buscando o céu, olhei pro céu buscando Deus e olhei pra Deus buscando misericórdia.
E assim fui desenhando/escrevendo a minha história, essas que por diversas vezes vocês lêem por aqui ou por ai, ou vão continuar lendo. Nas minhas palavras, o verbo. Nas entrelinhas delas, a minha alma.
Sempre me escondi em tantas máscaras, sempre me pus na condição de artista do meu próprio teatro e talvez eu fosse feliz. Ou talvez a felicidade naquela época também era uma outra máscara que diversas vezes caía e se refazia por entre os roteiros ensaiados. Era temporária, rápida, instantânea, quase do tamanho de um momento, do presente que é tão curto. Nunca precisei buscá-la, por que ela sempre se fazia presente nas oportunidades que eu criava. Porém, não é mais assim. Eu cresci e crescer dói, e vai continuar doendo por que eu continuo crescendo a cada segundo que passa. E nesses segundos que passam, também acabam-se os roteiros, cansam-se as máscaras, entediam a platéia. Surge a realidade, e na realidade não existem máscaras, a não ser as das festas a fantasia. Não consigo mais usar máscaras. Não tenho mais o controle que deveras eu tinha, por que me sentia na condição de autor/diretor da minha própria história. Hoje, às vezes, me sinto como simples telespectador de tudo, aspirante de tantas coisas, e minha vida cada vez mais distante de mim.
Alguns devem pensar: 'Que pecado!', eu digo que não faço apologias a coisa alguma. Eu simplesmente me descasco aqui, independente de qualquer visão alheia, por que mesmo sendo ouvinte dos meus próprios pensamentos e decisões, ainda sou critico. E me decalco diversas vezes, por que sei que dentro de mim, existe algo que precisa ser resgatado.
Alguma coisa em mim se preocupa comigo. Alguma coisa em mim me põe no colo e me abraça às vezes quando estou na cama, embaraçado nas minhas lágrimas, sufocado com os meus gritos e amedrontado pelo o meu choro. E por mais que às vezes pareça muito maior o que sinto do que a minha própria vontade, eu sei que eu preciso ficar bem. Não por ninguem, mas pelo pouco de mim que existe aqui dentro.
Autor: Fillipe Sampaio.