
-
Isso. Foi uma carta.
[...]
Alguém,
Não contive minha vontade de escrever, e como faz tempo que eu não escrevo, tive que vir aqui e dissertar a respeito de algo que sutilmente me aconteceu durante há alguns dias.
Descobri sem mais nem menos que tenho um vicio muito perigoso. Até hoje eu não sei definir qual o conceito de ‘perigoso’ nesse contexto. Ao mesmo tempo em que o ‘perigo’ me parece algo tão instigante e convidativo. Mas me deixe falar um pouco mais sobre tal conclusão.
Pus-me a pensar um bocado a respeito do que se passou. E me revi em diferentes momentos da vida, principalmente dos momentos um pouco mais recentes e percebi que diversas vezes fui teimoso em relação as minhas atitudes. Não posso negar que errei muitas vezes por tomar caminhos que eram impulsionados pela emoção instantânea. E que nessas situações causei um problema que poderia ser resolvido pelo próprio tempo que se passa despercebido.
Confesso que também deixei de prestar atenção nas minhas atitudes e me fiz enxergar o tempo não mais como um aliado, mas sim como um inimigo que me destruía sem que eu percebesse. Fui orgulhoso em não deixar que ele tomasse as rédeas do meu destino, e fui assim tomando minhas decisões sem sequer pensar nas conseqüências que elas poderiam causar. Não acho que fui irresponsável ou imaturo. Talvez eu estivesse cético demais ou simplesmente cego a toda realidade que me cercava.
Acredito que não devo pedir perdão ao tempo, nem tampouco a mim mesmo. Preciso dar ao tempo um tempo para que as coisas se adéqüem como devem ser adequadas. E quanto a mim mesmo, preciso me perdoar por ter tido essas ações.
Bom, aonde eu quero chegar?
Não vou dizer que tenho medo, nem vou dizer que eu estou insatisfeito. Já chega dessas palavras-chaves que sempre nos remetem aos mesmos lugares e as mesmas situações. Na realidade o que eu preciso mesmo é deixar de lado as minhas armaduras que mesmo em volta de tanto teatro melodramático, sempre estiveram presentes dentro do meu ser, me impedindo de ver a vida da forma mais bela e feliz que deve ser vista.
A real é que o sentimento que percorre o meu corpo nesses últimos dias e nesse exato momento, é um sentimento de mais puro desabafo. Como se todas as minhas vontades e anseios soltassem pelos meus dedos em forma de palavras aos borbotões. Sinto falta desse ‘eu’ que fora sufocado pelas ocasiões de mais pura tristeza e decepções de ambas as partes. O que eu quero dizer é que sinto falta quando me sentava diante do papel e deixava que meu sentimento fosse debulhado aqui da forma mais sublime, pura e você pode contestar isso relendo todas as minhas cartas e palavras que foram direcionadas a você em diferentes estações dentro da nossa história.
Quero te dizer que a chama que percorria aquele garoto que você conheceu a pouco mais de um ano ainda continua acesa, e tão clara como nunca. Que ainda me encanto com o seu sorriso e com o seu olhar. Que você continua sendo a pessoa mais linda dentre todas as outras que existem e percorrem pela minha vida. Você continua sendo único e suficiente dentro da minha existência.
Quero te dizer que ainda sou grato a Deus pela sua existência e pela oportunidade que Ele me deu de ter deixado você fazer parte da minha história aqui nessa vida. E que eu amo a sua voz, o teu cheiro, teu calor, tua companhia e todas as coisas que provém de você.
Queria tanto que você pudesse sentir pelo menos um terço de tudo o que eu sinto pra que você pudesse entender quando eu digo que existem situações tão pequenas, tão insignificantes que não chegam nem aos pés de todo o inteiro que existe dentro de mim. Confesso a você que sou humano, e na realidade dura de todos nós, humanos que somos, erramos de todas as formas, a todo o momento mesmo que busquemos a todo instante a perfeição.
Não tenho a mesma prática de antes nas minhas palavras, nem tampouco nas cartas que escrevo. Mas devo admitir que toda vez que me sento aqui e penso em escrever algo direcionado a você, me vêm na cabeça tantas palavras e tantos sentimentos que fica difícil colocar tudo aquilo que eu quero dizer. E ai me limito no ‘eu te amo’, esse que você está exausta de ouvir ou ler, às vezes, mas é por que eu acredito que o amor é o sentimento mais sublime, mais nobre que existe, e o que eu sinto, não é que se resuma nele, porém é o mais próximo que eu posso dizer quando quero ser objetivo e direto à você.
Perdoe-me os meus erros e até mesmo os meus acertos. Às vezes a prática de ‘pedir perdão’ às pessoas (principalmente àquelas que a gente ama) é de suma importância no nosso crescimento espiritual. Eu sei que enche o saco toda vez que pedimos perdão e cometemos os mesmos erros. Mas praticar o ‘pedir perdão’ às vezes é a única saída para uma alma inquieta e cheia de culpa.
Acredite, você é a pessoa que eu amo. Você é a pessoa que eu quero. Sem sombra de dúvidas.
Você é meu vicio. Um vicio mal administrado, mas meu vicio. Preciso de mais de uma dose de você todos os dias. E se você se apegasse nessa realidade, veria que as coisas fluiriam da forma mais simples que poderia de fato fluir...
Fillipe Sampaio.
[...]



