Você me disse uma vez que eu poderia contar com você. E eu olhava pra você e via uma áurea linda, cheia de luzes e brilhos piscando para mim. E foi assim que eu me apaixonei inusitadamente. Desde os pequenos olhares de canto de olho até as mãos que me envolviam e me procuravam enquanto você tentava dormir de conchinha, logo ali, atrás de mim. Volta e meia, você acordava e me dava um beijinho no olho, que era, eu acho, pra que eu não me esquecesse que existia alguém ali do lado e que eu podia contar com esse alguém.
Eu me lembro dos dias cheios que nós tínhamos, cheios de coisas pra dar um ao outro. Um anel, um chocolate ou então um cafuné de leve no braço. Ás vezes o dia ficava realmente cheio. Cheio de mim e de você, cheio da gente ali, preso no mundinho da gente e olha só, erámos tão felizes que agora nem nos lembramos mais. As coisas mudam e as pessoas também... Mais que as coisas e as pessoas o sentimentos mudam e também se enchem como uma esponja debaixo de uma goteira. De algo tão leve como uma pluma, as coisas ficam pesadas com o tempo, com tudo... Os contextos, os acontecimentos, as palavras, as atitudes, eu sei. E eu também sei que você tinha disposição, tanto quanto eu. Mas e agora? Quanto eu posso contar com você? Quanto você tem de disposição para apertar a esponja pra que todo o peso saia e fique leve novamente?
Não posso apertar só. A esponja é grande, tão grande que você nem imagina.
Mas eu estou disposto. Ah! Se estou. E olha, você pode contar comigo.