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Em dezembro meu olhar não era mais o mesmo.
Ainda sentia a tua mão fria em meu ombro pedindo que eu ficasse um pouco mais e ainda via teu olhar por detrás das minhas costas suplicando por um pouco mais de mim.
O efeito dominó já tinha acontecido, se arrepender seria a pior saída, afinal de contas já sabíamos a quem nós pertencíamos e o que nos ligava ficava bem acima de qualquer realidade tosca que nos cercava.
Era uma faca de dois gumes. Ouvir a consciência ou se entregar aos instintos tão regados pelos nossos hormônios, tão animalescos ou senão, tão inevitáveis.
Evitar, era um verbo, que naquele momento, não estava em nossos vocabulários, tínhamos duas saídas: se entregar ou se entregar. [...]
Nossos corpos estavam ligados. E eu sei que cada vez que minha pele pensava encostar na tua, você suava, se contorcia e se arrepiava.
E eu fazia de propósito, pegava na tua cintura, segurava na tua mão, te convidando pra uma dança que só nós dois sabíamos de todos os passos; de cada compasso; de todo o ritmo.
A cada toque involuntário ou toque bobo, nossas mentes imediatamente nos levava a um lugar que só nós dois tínhamos as chaves e sabíamos como entrar.
Por que era fato. Era pra ser consumado.
O teu cheiro me envolvia, tua voz me mandava, o teu gosto me entorpecia e o teu olhar me maltratava. Era como tinha que ser, o nosso medo nos distanciava a lugares tão distintos, mas somos seres e seres não se cansam, e mesmo sem respaldo, sabíamos onde estávamos, o que fazíamos e para onde iríamos.
assim se fez o fim de um começo.
de um começo sem um fim.
e mesmo sem um terço
já levara parte de mim.
Autor: Fillipe Sampaio.


